Antes de começar a cuspir fogo neste artigo, quero deixar claro que sou completamente contra a pirataria. Não adquiro produtos falsificados, e quando estimo e quero guardar algo, compro o original. Ok, ok, tenho algumas músicas, mas o que irei relatar me dá motivos e razão para nunca mais comprar.
Sou saudosista e adoro sitcons, séries de TV com uma pegada irreverente e que tem pessoas rindo ao fundo.
Na noite passada, resolvi assistir o segundo DVD do box de Friends – 1ª temporada, que comecei a colecionar dois anos atrás.
Já havia assistido ao primeiro DVD e na tentativa de tirar o estresse da semana, abri meu amado box e inseri o disco 2 na unidade de DVD do meu notebook. Os nove primeiros episódios eu já havia assistido, sendo que sete estão no disco 1, então, resolvi continuar a sequência e assistir o episódio 10 – “Aquele em que o Underdog escapa”. Ao clicar em assistir, não foi possível. O player informava um erro de acesso.
Saí do meu Ubuntu e entrei no Windows para ver se era algum problema pontual das bibliotecas de leitura de DVD que eu instalei (libdvdread e libdvdcss2). O Windows Media Player me deu uma mensagem sacana, informando que não era possível ler o conteúdo protegido. Mas como assim, Bial?
Xinguei a Warner, a Videolar, a MPAA, a RIAA, as Lojas Americanas, o Obama, a Rita Cadillac e o Tiririca.
Simplesmente fui penalizado por pagar R$ 39,90 no box original de algo que eu gosto. Se eu tivesse baixado da internet, seria só dar o play e quem sairia ganhando seria apenas eu, mas a partir do momento que decidi comprar o original, contribuí para que esta obra fosse valorizada e seus detentores de direitos recebessem pelo belo trabalho. Paguei por achar que eu teria o direito de assistir na hora que eu quisesse, onde eu quisesse, quantas vezes eu quisesse e no dispositivo que eu escolhesse.
Baixei o K9Copy (um software similar ao DVD Shrink) e fiz uma cópia do disco. A cópia funcionou perfeitamente, mas não estou feliz. Me senti enganado. Senti como se tivessem colocado o dedo na minha cara e me chamado de ladrão.

A indústria do entretenimento vem há anos marginalizando quem paga pelo produto que ela produz a fim de proteger sua propriedade intelectual e seus direitos de uso. Quem não paga e apenas “suga” e não paga, continua feliz e inatingível.
Desde ontem decidi não pagar mais por qualquer conteúdo de entretenimento, exceto jogos. Quero poder assistir livremente, onde eu quiser, tantas vezes quanto eu achar conveniente. Se quiser me prender, que me prendam. Se quiserem me processar, me processem.
Tenho os boxes originais da 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 6ª e 7ª temporadas. Não compro mais. Vou baixar, assistir e ser feliz e se eu tiver de sofrer algum tipo de discriminação, que realmente haja alguma razão para isso.
No III Fórum da Revista Espírito Livre, Walter Capanema palestrou sobre o tema de uma forma bem provocativa e interessante.
E você? Já se sentiu lesado por pagar por algo e perceber que não possui direito nenhum sobre ele?


















